Uma série de atividades está em curso ao longo de 2026 para celebrar os 150 anos de nascimento de Afrânio Peixoto (1876–1946), escritor, médico e educador baiano que é uma das figuras centrais da literatura e da cultura brasileiras. A programação comemorativa reúne instituições da Bahia e do Rio de Janeiro em homenagens que vão de sessões solenes a encontros acadêmicos, com participação de pesquisadores, escritores e representantes de academias de letras.
As comemorações tiveram início em 10 de junho, com uma Sessão Especial da Câmara de Vereadores de Lençóis, cidade natal de Afrânio Peixoto. Na ocasião, foi promulgada lei municipal que torna obrigatório o ensino da vida e da obra do escritor nas escolas do município.
Em outubro e novembro, as homenagens seguem para dois dos principais espaços de tradição literária do país. No dia 29 de outubro, a Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, recebe a palestra “Afrânio Peixoto: Releitura de um Ficcionista Precursor”, com Aleilton Fonseca, presidente da Academia de Letras da Bahia, e coordenação de Arno Wehling (IHGB/ABL).
Já em 4 de novembro, a Academia de Letras da Bahia, em Salvador, sedia a conferência “Nacionalismo e regionalismo: a brasilidade de Afrânio Peixoto”, com Arno Wehling, da Academia Brasileira de Letras, e mediação de Aleilton Fonseca.
O ponto alto das comemorações será o III Seminário Afrânio Peixoto, evento de dois dias — 5 e 6 de novembro — na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), reunindo pesquisadores e estudiosos em conferências, mesas-redondas e sessões de comunicação dedicadas à vida e à obra do autor.
A abertura, no dia 5, inclui o ato de inauguração do Centro de Documentação, Acervos e Memória do Semiárido, com composição de mesa que reúne a reitora da UEFS, Amali de Angelis Mussi, representantes da Fundação Pedro Calmon, da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação e dos Programas de Pós-Graduação em Estudos Literários e em Estudos Linguísticos da universidade. Na sequência, Marcos Antonio de Moraes (IEB-USP-CNPq) profere a palestra “Acervos de Escritores e os Estudos Literários no Brasil: o caso do acervo de Mário de Andrade”, e à tarde acontece a mesa “Arquivos Baianos”, com pesquisadoras da UFBA, do Centro de Memória da Bahia/Fundação Pedro Calmon e da UEFS.
No segundo dia, 6 de novembro, a programação é dividida em sessões de comunicação sobre edição de cartas e sobre propostas de edição de obras literárias e não literárias de Afrânio Peixoto e de outros autores baianos, reunindo estudantes e pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL) da UEFS. O seminário tem ainda uma nova conferência de Arno Wehling, “Essência e Historicidade em Afrânio Peixoto”, e se encerra com a palestra “Por uma filologia dos acervos de escritores”, de Patrício Nunes Barreiros (UEFS-CNPq).
Com atividades que atravessam sete meses e conectam a cidade natal do escritor às principais academias de letras do país, a programação comemorativa reafirma a relevância de Afrânio Peixoto para a literatura e a memória cultural brasileira, um século e meio após seu nascimento.